O que é blasfêmia contra o Espírito Santo?
Quem chega a essa pergunta muitas vezes está com medo de ter perdido para sempre a possibilidade de receber perdão. Antes de tirar essa conclusão, precisamos ler o episódio inteiro e distinguir o que Jesus disse daquilo que nossa aflição acrescenta ao texto.
O contexto de Marcos 3:22–30
Podemos dividir o capítulo 3 de Marcos assim: A cura do homem da mão ressequida (Vs.1-6); Jesus cura inúmeras pessoas à beira-mar (Vs. 7-12); Jesus escolhe seus apóstolos (Vs. 13-19); A blasfêmia contra o Espírito Santo (Vs. 20-30); e, A mãe e os irmãos de Jesus vão até ele. Quando lemos todo o capítulo observamos a clara relação entre esses temas e a questão da blasfêmia.
Logo no início, os fariseus e herodianos respondem à cura do homem da mão ressequida decidindo que matariam Jesus por fazer milagres aos sábados. O Senhor os acusou de dureza de coração. Em seguida vemos duas atitudes opostas. A multidão abre o coração para a fé em Cristo e alguns dos discípulos ouvem e aceitam a identificação plena com o apostolado proposto por Jesus.
Na sequência Jesus está em sua casa. Não há tempo para comer, pois chegam mais e mais pessoas. O texto diz que seus meio irmãos, filhos de José e Maria, vieram para levar ele amarrado por o considerar louco. Os fariseus aproveitam a oportunidade, fazendo coro com eles a fim de mudar a opinião do povo sobre ele. Os escribas afirmaram que Jesus expulsava demônios pelo poder de Belzebu.
Então Jesus responde mostrando a incoerência da acusação e, em seguida, faz a advertência sobre a blasfêmia. O próprio evangelista explica a ligação entre o aviso e aquela acusação. Leia Marcos 3:22–30. Por fim, a família terrena de Jesus retorna para falar com ele, mas o Senhor declara que sua família está entre aqueles que creem e obedecem a Deus.
Por que esse pecado é tratado com tanta gravidade?
A resposta está na Pessoa contra quem a blasfêmia é proferida. Jesus mesmo diz: "Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas, para o que blasfemar contra o Espírito Santo, não haverá perdão". (Lc 12:10). Isso significa que podemos blasfemar impunemente contra Cristo? Certamente que não. Porém, o Espírito Santo é o agente propagador da salvação em Jesus.
O Senhor declarou a missão do Espirito na terra como sendo convencer a todos do pecado, da justiça e do juízo vindouro. Se a obra evangelizadora do Espírito, seja naquele momento operando através de Jesus, seja agora, agindo por meio da Igreja, é atribuída ao demônio, não resta outro Agente capaz de abrir os olhos do blasfemo. Se não pode crer no testemunho que o Espirito dar à respeito do Salvador, quem o livrará dos seus pecados? Não há perdão nem aqui, nem na eternidade.
Essa interpretação chama à responsabilidade: não devemos endurecer o coração diante da verdade sobre Jesus. Ao mesmo tempo, não nos dá autoridade para declarar, a partir de uma conversa breve, que determinada pessoa ultrapassou definitivamente o alcance da misericórdia divina.
Uma dúvida ou um pensamento indesejado é essa blasfêmia?
Apesar da gravidade do pecado contra o Espírito tal agravo imperdoável não é comum. As Escrituras falam de uma série de outros pecados contra o Espírito mais presentes na vida dos cristãos. Observemos esta triste caminhada até uma provável brasfêmia:
- O crente pode entristecer o Espírito, ignorando sua presença e direção (Rm 8.5-17; Gl 5.16-25; 6.7-9). (2);
- Entristecer o Espírito Santo pode o levar a resisti-lo (At 7.51);
- Isto, por sua vez, leva a extingui-lo (1 Ts 5.19);
- E, finalmente, insultar o Espírito da graça:
"Imaginem quanto mais severo deve ser o castigo daquele que pisou o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado e insultou o Espírito da graça!" (Hb 10.29).
Esta última ação pode ser identificada como a blasfêmia contra o Espírito Santo, para a qual não há perdão.
Não é correto equiparar essas situações sem considerar o contexto e a intenção. Um pensamento que alguém rejeita não expressa necessariamente aquilo que essa pessoa escolhe crer. Tampouco uma crise de compreensão é, por si só, o mesmo que a oposição descrita no Evangelho.
O desejo de buscar a Deus e de abandonar o pecado deve ser acolhido com seriedade. A orientação para quem se arrepende não é desistir de Cristo, mas aproximar-se dele. Em 1 João 1:8–9, a resposta ao reconhecimento do pecado envolve confissão e confiança na fidelidade de Deus.
Como lidar com essa preocupação?
- Leia a passagem completa, incluindo a acusação feita contra Jesus.
- Apresente a Deus, com sinceridade, aquilo que preocupa você.
- Converse com uma liderança cristã que saiba ouvir, sem usar ameaças para controlar sua consciência.
- Evite procurar, repetidamente, listas de frases supostamente capazes de tornar uma pessoa imperdoável.
A história de Paulo também ajuda a pensar sobre culpa e transformação. Ele reconhecia seu passado de perseguição, mas esse passado não impediu sua conversão. Veja o estudo Saulo matou cristãos?
A advertência deve nos levar a Cristo
O ensino sobre blasfêmia não é uma licença para banalizar o pecado, nem um instrumento para afastar de Jesus quem deseja se arrepender. Examine o contexto, trate suas escolhas com responsabilidade e busque a verdade com humildade. A fé cristã anuncia um Salvador a quem podemos recorrer.


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